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Crise do Coronavírus: empresária brasiliense relata dificuldade em adquirir linhas de crédito dos bancos

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Por Gabriel Ferreira | redacao@justicaemfoco.com.br
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A crise financeira decorrente do fechamento de grande parte do comércio tem acarretado perdas enormes para empreendedores e trabalhadores em geral. A empresária Kássia Ribeiro, 27, possui uma loja de móveis planejados em Brasília-DF. Em relato à redação do site Justiça em Foco, a empresária revelou o que ocorre na prática: “fui até a minha agência para saber sobre essas linhas de crédito do BNDES, meu gerente me apresentou condições que exigiam garantias exorbitantes e uma taxa de juros tão alta, como antes da crise”.

As pequenas empresas são responsáveis por mais da metade dos postos de trabalho formais no país (18 milhões de empregos, ou 55% do total), e também são as que mais sofrem com a restrição de crédito. Pensando em mitigar os efeitos dessa crise, o BNDES lançou na semana passada (22/03) a linha “BNDES Crédito Pequenas Empresas” que será repassada aos empreendedores por meio dos bancos credenciados.

Embora o Governo Federal e os governos estaduais tenham anunciado medidas nesse sentido, na prática, é grande a dificuldade imposta pelos bancos para o empreendedor conseguir o crédito. Além do que, os juros não são nada amigáveis, o próprio BNDES admite que, com a negociação intermediada pelos bancos, os juros devem ficar em torno de 1,3% a.m.

Nos anúncios do Governo Federal não há nada que impeça as instituições financeiras de impor obstáculos burocráticos ou exigir garantias que as pequenas e médias empresas já não tinham antes da crise. O efeito gerado na economia é em forme de cascata: “a empresa tinha contratos futuros no valor de R$ 300mil, a maior parte das vendas para clientes que também são empresários, todos adiaram ou cancelaram em decorrência da crise”, afirmou a empreendedora Kássia Ribeiro.

Dessa forma, mais uma vez, somente os bancos e as grandes empresas vão conseguir acesso ao crédito com baixas taxas de juros e devem sair praticamente ilesos da crise. Em virtude do caráter excepcional do isolamento social, o BNDES poderia fornecer o crédito diretamente aos empreendedores, por meio dos cadastros virtuais, sem a intermediação de outras instituições financeiras. Afinal, ele é o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e não o Banco dos Bancos.

Aliás, o Banco Central reduziu os valores de depósitos compulsórios e a Taxa Selic (3,75%), justamente para os demais bancos oferecerem crédito mais fácil e com condições melhores ao público. Não é o que se vê no dia-a-dia, enquanto isso, milhões de trabalhadores tem seus empregos ameaçados e milhares de empreendedores podem ver seus negócios irem à falência.

Embora seja uma decisão acertada dos governos em disponibilizar essas linhas de crédito, como o montante de 700 bilhões anunciados anteontem 27/03, pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, é importante também balizar as condições dos financiamentos. O próprio governo, por meio dos bancos públicos, pode reduzir a exigência de garantias e oferecer prazos mais estendidos aos empreendedores para diminuir os impactos da provável recessão econômica.

redacao@justicaemfoco.com.br

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