
Deputados da oposição articulam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os pagamentos de jetons a autoridades públicas por participações em conselhos de entidades do Sistema S, como o Sesc e o Senac. A iniciativa, considerada por parlamentares como uma das pautas com maior potencial de impacto, deve ganhar tração assim que obtiver o aval de presidentes de dois partidos, segundo revelou um deputado sob condição de anonimato.
A proposta busca apurar valores pagos a ministros de Estado por participação esporádica em reuniões de conselhos dessas instituições. Apesar de integrarem o chamado "terceiro setor", as entidades do Sistema S são financiadas por contribuições parafiscais arrecadadas junto ao setor produtivo e, por isso, vêm sendo alvo de críticas pela falta de transparência e controle público. Não faltarão argumentos para os parlamentares, já que, em relatório aprovado nesta semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez críticas à ausência de mecanismos eficazes de controle sobre os recursos destinados ao Sistema S. De acordo com o documento, em 2024, entidades como Senai, Sesc, Senac e Sebrae receberam cerca de R$ 33 bilhões em contribuições parafiscais — montante que corresponde a 0,29% do PIB nacional. A corte de contas alertou para a necessidade de maior transparência e prestação de contas, diante do volume expressivo de recursos movimentados anualmente pelo sistema.
Segundo reportagem do jornal Estadão, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de duas reuniões na instituição no último ano, segundo informações da sua agenda oficial, e recebeu R$ 28 mil por mês em honorários. Ao final daquele ano, o ministro somou R$ 257 mil — o equivalente a R$ 128,5 mil por reunião, de acordo com os dados do Portal da Transparência.
No caso do ministro da Educação, Camilo Santana, membro do conselho do Senac, o valor recebido por sua participação ainda não foi divulgado nos canais oficiais da entidade. O Senac, apesar de movimentar bilhões de reais anualmente, não disponibilizou essa informação.
Em notícia publicada no Estadão, o jornalista Pedro Nery apontou que o Sistema S mobiliza cerca de R$ 30 bilhões por ano, operando fora dos mesmos padrões de controle exigidos de órgãos e empresas públicas federais.
A expectativa entre deputados é de que a instalação da CPI contribua para ampliar a fiscalização sobre os recursos geridos pelas entidades do Sistema S e pressione por maior transparência na remuneração de conselheiros. Ainda não há prazo definido para a apresentação oficial do requerimento de criação da CPI.
Alcolumbre marca para esta terça votação da PEC da Segurança
Governo corre para votar PEC da Segurança antes do segundo turno
Senadora Leany Lemos propõe homenagem às cientistas brasileiras