
Ronaldo Nóbrega é jornalista, memorialista e Chairman do Grupo de Comunicação Justiça em Foco. Escreve sobre Judiciário, Legislativo, economia e tecnologia e atuou por mais de uma década como consulente perante o TSE. Foi autor da Consulta nº 1.185, que contribuiu para o debate sobre o fim da verticalização das coligações. Posteriormente, a Emenda Constitucional nº 52 assegurou aos partidos autonomia para definir suas coligações.
ronaldo.nobrega@justicaemfoco.com.br
O avanço da inteligência artificial, da eletrificação e dos veículos conectados está transformando a mobilidade urbana. Mas a incorporação de novas tecnologias não significa, necessariamente, a construção de cidades melhores. Essa foi uma das reflexões apresentadas por Valter Pieracciani, MSc., presidente da Piera, durante o Automotive Business Experience (ABX 2026).
Na palestra A Arte de Pensar Cidades do Futuro, Pieracciani questionou a definição convencional de cidade apresentada pela inteligência artificial: um espaço urbano onde pessoas vivem, trabalham e estudam. Para o especialista, a descrição é insuficiente para compreender a complexidade das relações humanas e os desafios do desenvolvimento urbano.
Ao recorrer a obras de arte de diferentes períodos históricos, Pieracciani mostrou como a percepção sobre o progresso muda ao longo do tempo. A locomotiva a vapor, antes símbolo de modernidade, tornou-se também uma referência aos impactos ambientais da industrialização.
A apresentação teve como referência o Relatório de Mobilidade Urbana, elaborado pela Automotive Business em parceria com a Piera, que integra o relatório completo do ABX 2026. O estudo contribuiu para ampliar a discussão sobre os efeitos das transformações tecnológicas no transporte, na infraestrutura e na organização das cidades.
O debate ocorre em um momento de mudanças na indústria automobilística, impulsionadas pela inteligência artificial, conectividade, eletrificação e novos modelos de negócios. Essas inovações também alcançam setores como seguros, serviços financeiros e plataformas de mobilidade.
Para Pieracciani, entretanto, o desafio não se limita à adoção de novas ferramentas. A estratégia de inovação deve considerar a combinação de tecnologias e soluções capazes de atender às necessidades reais da população.
A reflexão apresentada no ABX 2026 aponta para uma questão central do planejamento urbano: como transformar os avanços tecnológicos em benefícios concretos para quem vive nas cidades?
A mensagem é que o futuro da mobilidade não depende apenas de veículos mais inteligentes, mas de decisões capazes de tornar as cidades mais humanas, acessíveis e sustentáveis.
Governo fecha as bets após SUS ampliar atendimento a apostadores