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Terras raras: a bateria geopolítica do Brasil no G20 - 2026

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Mauro Souza
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Por Mauro Souza

O mercado dos 17 elementos químicos advindos da mineração, transformação e processamento de terras raras encontra-se na base dos dois principais eixos da geopolítica mundial: a transição energética e a cadeia global de valor da Inteligência Artificial (IA).

A próxima cúpula do G20, que ocorrerá em dezembro de 2026 em Miami, realçará um ponto crucial: as potências econômicas ocidentais (Estados Unidos, União Europeia, Japão e Canadá) acelerarão ações, destinadas a reduzir a dependência do refino chinês de terras raras.

O Brasil chegará ao G20 em uma posição dicotômica. Por um lado, o país dispõe de uma reserva abundante de terras raras, se apresenta como um parceiro seguro e estável e faz uso de uma matriz energética predominantemente renovável. Por outro lado, a despeito de possuir a tecnologia de refino e produção em escala de laboratório, se depara com a diferença abissal entre dominar a ciência do refino, e ter capacidade para processar milhares de toneladas por ano, de forma competitiva.

Diante da hipótese de “volatilidades esporádicas” programadas pela China (detentora de 90% da capacidade global de processamento), e do pragmatismo financeiro do Ocidente, que prefere manter o Brasil na posição de fornecedor de matéria-prima, qualquer projeto de refino nacional será visto, pelos bancos, como um empreendimento de alto risco.

Destarte, o Brasil tem por desafio defender, no G20, a sua participação no beneficiamento e fabricação local dos ímãs permanentes, necessários aos veículos elétricos, às turbinas eólicas e aos sistemas de defesa. A empreitada exigirá uma preparação meticulosa e muita negociação, mas poderá prover um forte poder de barganha e a atração de investimento estrangeiro direto (IED).

A expansão de projetos no subsolo brasileiro (como nas regiões de Goiás, Minas Gerais e Bahia) já vem movimentando bilhões de dólares em fusões e joint ventures com investidores internacionais. Este interesse, advindo de múltiplos blocos globais, coloca o país em uma posição favorável frente a negociações bilaterais.

Eu defendo a tese que, para emergir como o polo ocidental de referência em elementos de terras raras, o Brasil precisa estruturar a sua articulação no G20, a partir de cinco pilares:

  1. Apresentar o país como uma alternativa geopolítica estável para sediar plantas de refino e fabricação de ímãs sinterizados, garantindo o acesso a fundos soberanos e de fomento.
  2. Diferenciar a oferta brasileira das demais, demonstrando que os depósitos em argilas iônicas (de extração limpa e com baixa radioatividade), aliados a uma matriz elétrica renovável, garantirão o refino com a menor pegada de carbono do mercado global.
  3. Condicionar o acesso às reservas brasileiras à construção, em solo nacional, de plantas de separação por solventes e de ligas metálicas.
  4. Atuar como um polo neutro e multilateral, captando aportes e incentivos ocidentais, mas sem obstruir as pontes para as tecnologias advindas da Ásia.
  5. Destacar a viabilidade de mitigar a volatilidade do setor regulatório brasileiro (em especial da Agência Nacional de Mineração – ANM e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ), a partir da utilização de Inteligência Artificial Regulatória (IAR), nos moldes da que foi desenvolvida pela empresa brasileira JX IA.

Atuando em parceria estratégica com a FUNCEX (Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais) e com o INTR (Instituto Nacional de Terras Raras), a plataforma de IAR da JX IA situa-se como um motor de transparência regulatória, uma espécie de bússola capaz de comprovar que os projetos internacionais cumprem, integralmente, as normas brasileiras.

A atuação conjunta entre o INTR, a JX IA e a FUNCEX aliará o conhecimento científico-tecnológico mineral, com a segurança jurídica e regulatória, e a visibilidade do comércio exterior do país. Esta tríade ajudará na redução da taxa interna de retorno (TIR) de projetos de plantas de refino e fabricação de ímãs em solo pátrio, possibilitando que o Brasil apresente no G20 de 2026, uma proposta imbatível: reservas abundantes e limpas de terras raras, matriz elétrica verde, uma infraestrutura regulatória de IA de classe mundial e apoio consultivo sobre o comércio exterior do país.

Uma estratégia bem conduzida inserirá o Brasil na cadeia global da IA, e colocará o país na vanguarda da transição energética. Aqui é “onde a terra acaba e começa o mar, dando lugar ao horizonte infinito e à coragem de partir rumo à prosperidade”. Vamos em frente.

Mauro Souza

Mauro Souza é engenheiro elétrico com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações.

Atuou como gestor do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), diretor de tecnologia no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) e diretor de tecnologia na Presidência da República.

Foi presidente do Conselho de Modernização dos Correios, e diretor executivo de empresas nacionais e multinacionais. No momento é sócio fundador e CEO da Quantum Tecnologia, sócio e CEO da BX Analytics, CEO da JX Tecnologia e IA e diretor da Regional Brasília da FUNCEX (Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais).

Autor do livro “Política de Tecnologia da Informação no Brasil: um Caminho para o Século XXI”, foi professor de pós-graduação da Universidade Católica de Brasília e eleito IT Leader pelo International Data Group.

Foi membro do Comitê Executivo do Governo Eletrônico (destinado a instituir a política de tecnologia da informação do Governo Brasileiro) e membro do Comitê Executivo para a Política de Segurança das Informações do Governo Federal.

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