
Três projetos, três temas e uma mesma pergunta: como a comunicação de uma instituição pública pode ajudar as pessoas a compreender direitos, enxergar desigualdades e transformar a relação com os serviços públicos?
Experiências desenvolvidas pela Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) foram selecionadas para três espaços nacionais de discussão sobre comunicação pública e Sistema de Justiça. Entre setembro e novembro, iniciativas sobre Linguagem Simples, economia do cuidado e sustentabilidade integram a programação de eventos realizados em Brasília e Salvador.
A primeira apresentação aconteceu entre os dias 16 e 18 de setembro, durante o 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública (ComPública), na Câmara dos Deputados, em Brasília. As outras duas estão previstas para outubro, durante a 10ª edição do ExpoJud, também na capital federal, e novembro, no III Workshop de Cases de Comunicação do Sistema de Justiça, em Salvador.
“Embora tratem de temas diferentes, os três projetos partem de um mesmo princípio: a comunicação não precisa entrar apenas no final do processo, para divulgar aquilo que já aconteceu. Ela também pode ajudar a identificar problemas, provocar novas perguntas e construir respostas. Quando isso acontece, comunicar passa a ser também uma forma de aproximar a instituição da vida real das pessoas”, afirma a secretária de Comunicação, Bianca Felippsen.
Realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Pública em parceria com a Câmara dos Deputados, o ComPública reuniu 1.862 inscritos e integrou as comemorações dos 200 anos da Câmara e dos dez anos da ABCPública.
A Defensoria do Ceará apresentou uma das iniciativas desenvolvidas pelo CLIC, Laboratório de Inovação da instituição, a partir do uso da Linguagem Simples. O trabalho envolve escuta, análise da jornada do usuário, identificação de barreiras e redesenho de documentos, informações, procedimentos e fluxos.
“Nosso trabalho não começa perguntando como podemos escrever um documento de forma mais simples. Começa perguntando: onde as pessoas estão tendo dificuldade? O que elas não estão conseguindo entender ou fazer? Em que ponto da jornada estamos criando uma barreira? A Linguagem Simples entra nesse processo como uma ferramenta de inovação, porque nos obriga a olhar o serviço pela perspectiva de quem realmente precisa utilizá-lo”, explica a agente de Linguagem Simples da Defensoria, Julyta Albuquerque, que integrou a programação do congresso.
Em outubro, outra experiência da Defensoria será levada ao debate nacional. No dia 8, às 15h30, a campanha “Elas sentem o peso” será apresentada no Summit de Comunicação da 10ª edição do ExpoJud, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília.
A jornalista e secretária de Comunicação da DPCE, Bianca Felippsen, fará a apresentação da campanha, que colocou no centro do debate público a economia do cuidado e a distribuição desigual do trabalho doméstico e das atividades de cuidado não remuneradas.
A estratégia articulou redes sociais, mídia exterior, televisão, rádio, produção jornalística e debate institucional. A criação foi desenvolvida em parceria pro bono com a Morya Comunicação, e diferentes espaços de mídia aderiram à iniciativa sem custos para a instituição.
O ExpoJud acontece entre os dias 6 e 8 de outubro e reúne instituições do Sistema de Justiça e órgãos de controle para discutir inovação, tecnologia e transformação institucional.
Sustentabilidade também entra na pauta
Em novembro, será a vez do case “Defensoria Verde: presente, sustentável e universal”, selecionado para o III Workshop de Cases de Comunicação do Sistema de Justiça, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ).
O evento acontece nos dias 5 e 6 de novembro, em Salvador, e reunirá 20 experiências desenvolvidas por Defensorias Públicas, Ministérios Públicos, Tribunais de Justiça, Procuradoria-Geral do Estado e Escola da Magistratura de diferentes regiões do país. A proposta é compartilhar não apenas resultados, mas também metodologias, estratégias, escolhas e aprendizados que possam ser aproveitados por outras equipes.
O case cearense apresenta a experiência do Defensoria Verde, iniciativa que reúne ações voltadas à sustentabilidade, à economicidade e à incorporação da pauta socioambiental às práticas da instituição.
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