
O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu uma nota oficial na última quarta-feira (30.out.2024), manifestando-se contra a adoção de cotas para ingresso em programas de residência médica. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) publicou recentemente o edital reservando 30% das vagas do Exame Nacional de Residência (Enare) para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com necessidades especiais, política que diversas universidades passaram a adotar em suas decisões.
Para o CFM, a aplicação de cotas nas residências médicas representa um risco de “discriminação reversa”, uma vez que, segundo a entidade, as desigualdades dos grupos menos favorecidos foram atenuadas durante a graduação em medicina. O Conselho argumenta que o processo seletivo para residência não se assemelha ao concurso público, e por isso as políticas afirmativas de ingresso nas universidades não se aplicariam da mesma forma.
O comunicado ressalta que, ao longo da graduação, os alunos contemplados por cotas acessaram a mesma formação de seus colegas e obtiveram registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), evidenciando, de acordo com o CFM, que não há lacunas de conhecimento que justifiquem um tratamento diferenciado na residência.
O CFM afirma ainda que a concessão de cotas na residência cria uma vantagem injustificada dentro da classe médica e defende a manutenção da residência médica como um padrão-ouro, acessível exclusivamente pelos méritos científicos. Em função dessa discordância, o CFM ajuizou uma ação judicial contra a implementação das cotas nos programas de residência.
A polêmica levanta questões sobre a equidade no acesso à especialização médica e sobre os métodos de promoção da diversidade em áreas de alta competitividade, como a medicina. A decisão do judiciário deverá trazer novos desdobramentos sobre o tema nos próximos dias.
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