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HCB realiza cirurgia de extrofia de bexiga com técnica inovadora pela terceira vez

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HCB | redacao@justicaemfoco.com.br (Foto: Matheus Oliveira/GDF/Reprodução)
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Paciente vai corrigir malformação do sistema urinário com técnica que possibilita recuperação mais rápida

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) receberá, neste sábado (11.dez.2021), o Grupo Cooperativo Brasileiro Multi-Institucional para o Tratamento de Extrofia de Bexiga pela Técnica de Kelley, que vai operar uma criança de um ano de idade acometida pelo problema, para corrigir a malformação e reconstruir os órgãos. O procedimento terá início às 7h e deve terminar às 19h.

A extrofia de bexiga é uma anomalia que atinge, além da bexiga, a parede abdominal inferior, os ossos do quadril e o aparelho genital do paciente, deixando esses órgãos expostos (fora do abdome). A prevalência da extrofia de bexiga é em torno de três para cada 100 mil nascidos vivos. Em Brasília, nasce uma criança por ano com essa malformação.

Para realizar a cirurgia, a equipe médica vai utilizar um método inovador, que apresenta um resultado mais eficaz do que o procedimento tradicional. Trata-se da Técnica de Kelley, que repara a malformação sem modificar a estrutura da pelve (bacia) e preservando outros órgãos do corpo humano. É a terceira vez que o HCB realiza uma cirurgia com essa técnica. Nas ocasiões anteriores, o Hospital atendeu dois meninos de um ano de idade, um em 2019 e outro em 2020. 

Segundo o cirurgião e urologista pediátrico, coordenador de urologia do Hospital da Criança de Brasília, Dr. Hélio Buson, um dos integrantes do Grupo Cooperativo, a cirurgia é considerada delicada, visto que ela trabalha com todas as estruturas afetadas pela malformação. “Essa é considerada a cirurgia mais complexa na nossa especialidade; exige um conhecimento anatômico e de técnica cirúrgica muito difícil de ser desenvolvida. Faz parte do papel desse Hospital fazer cirurgias como essa”, explica Buson.

O primeiro passo, de acordo com o médico, consiste na separação da bexiga, da próstata, da uretra e dos corpos cavernosos do pênis — no caso de um menino — dos tecidos em volta. De acordo com Buson, para evitar lesões aos nervos e vasos sanguíneos dos corpos cavernosos do pênis, é preciso dissecar por dentro dos ossos da bacia. Após essas intervenções, ocorre a reconstrução. 

A técnica de Kelley foi idealizada há cerca de 50 anos pelo urologista pediátrico australiano Justin Kelley e começou a ser empregada no Brasil em 2019, quando o médico Nicanor Macedo idealizou o Grupo Cooperativo. O método oferece resultados mais positivos, garantindo a funcionalidade dos órgãos, e evita problemas como refluxo vesicoureteral e incontinência.

O Grupo Cooperativo viaja mensalmente para diversos locais do país para operar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), crianças com extrofia de bexiga. Desde que foi constituído, em janeiro de 2019, o grupo já fez cirurgias em 36 crianças – a criança operada no sábado será a 37ª.

Congresso Brasileiro de Urologia

A cirurgia deste sábado servirá de preparação para a 38ª edição do Congresso Brasileiro de Urologia, que acontece entre os dias 12 e 15 de dezembro, e será transmitida para outros cirurgiões pediátricos em uma sala do Hospital da Criança de Brasília, permitindo interação com a equipe médica.

Inscrições para assistir à transmissão podem ser feitas pelo no e-mail cbu@rvmais.com.br.

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