
A falta de integridade causa perdas diretas e indiretas para a Administração. Mas o Estado não é o único que perde com a ausência de lisura nas compras públicas. Esse problema também é prejudicial às empresas e, especialmente, à sociedade, que, além de arcar com custos extras, fica sem o bem ou serviço que deveria ser adquirido.
Um mercado de compras públicas que não opera dentro dos princípios da integridade desencoraja o interesse de potenciais participantes. Isso porque, quando as empresas interessadas em um processo de compra acreditam que os procedimentos de contratação estão direcionados para beneficiar determinado concorrente, elas se afastam da chamada do governo. Nesse cenário, há um círculo vicioso, em que a Administração Pública fica entregue àqueles agentes de mercado que oferecem preços mais elevados ou produtos/serviços de pior qualidade. As empresas que contratam com a Administração Pública – ou que desejam contratar – perdem competitividade e oportunidades de mercado quando há falta de integridade.
A formação de esquemas, para combinar preços e Integridade nas Compras Públicas 10 eliminar o caráter competitivo da licitação, desestimula a participação de quem possui uma conduta íntegra e não se rende a práticas ilícitas. Isso porque, em uma licitação em que prevalece a falta de ética, vencem aquelas empresas que cobram preço superfaturado e entregam bens ou serviços de menor qualidade.
Quando há falta de integridade nas contratações públicas, toda a sociedade perde. Nesse cenário, escolas e hospitais públicos têm pessoal insuficiente ou sem qualificação, serviços de urbanização e infraestrutura e tantos outros não são prestados ou são prestados de maneira inadequada, entre outros. Há filas nos hospitais públicos, falta de vagas em escolas, merenda escolar sem qualidade para consumo etc. Esses são apenas alguns dos prejuízos sofridos pelos cidadãos em um quadro de falta de integridade.