
Por Ronaldo Nóbrega (SP)
O líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), orientou a bancada do partido a se manter contrária ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que prevê um total de 3,7 bilhões de reais para o Fundo Eleitoral. Esse é o fundo destinado a financiar campanhas partidárias e deverá ser usado nas eleições municipais de 2020.
O valor é mais que o dobro dos 1,7 bilhões de reais gastos nas campanhas políticas em 2018. Nas regras atuais, a distribuição do dinheiro é feita proporcionalmente ao tamanho das bancadas. Atualmente, o PSL detém a maior quantidade de deputados, portanto seria o partido a receber a maior parte do dinheiro. Mesmo assim, a posição do deputado Major Vitor Hugo foi bastante firme em ser contra essa farra com o dinheiro público, a despeito de o PSL ser um dos principais beneficiados da aprovação desse aumento.
Dessa forma, em razão das pressões dos parlamentares, principalmente os do PSL, o deputado federal Cacá Leão (PP-BA), relator do projeto da LDO, afirmou hoje (27/08) que abandonou o aumento de 2 bilhões para o “Fundão” e que voltará ao texto original, apresentado pelo governo.
O protagonismo do Major Vitor Hugo foi fundamental para convencer os outros líderes partidários do desgaste político que isso poderia gerar, especialmente em meio à situação crítica dos cofres públicos. Durante a semana, Vitor Hugo deu diversas declarações de que o PSL agiria em bloco contra o fundo bilionário, mas que seria a favor no que se refere à liberdade na organização interna dos partidos:
“Naquilo que diz respeito à organização interna dos partidos, o governo costuma sinalizar com nada a opor, mas no que diz respeito a aumento de fundo, o PSL vai ser contrário”, afirmou o líder do governo na Câmara dos Deputados.
De fato, a própria existência do chamado “fundão” é uma afronta ao cidadão brasileiro, afinal é dinheiro público sendo utilizado para campanhas político-partidárias. O exemplo a ser seguido deve ser o do próprio PSL em 2018, que utilizou majoritariamente financiamento próprio e pequenas doações de pessoas físicas e jurídicas no sistema de crowdfunding, as chamadas vaquinhas virtuais.
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