
Cerca de 200 mil brasileiros vivem hoje no Japão, fora aqueles que já se naturalizaram japoneses, segundo dados do governo japonês. Os brasileiros são a quinta comunidade estrangeira mais expressiva no Japão.
Ao desembarcar na terra do sol nascente, as crianças emigradas do Brasil enfrentam a barreira linguística como um dos principais desafios de integração à sociedade japonesa, de acordo com avaliação do embaixador do Brasil no Japão, Eduardo Saboia.
Para enfrentar a dificuldade, 39 escolas brasileiras ensinam português e japonês às crianças brasileiras no Japão. As instituições são homologadas pelo Ministério da Educação e, segundo Saboia, as escolas "têm equipe de professores que mantém o vínculo das crianças com a educação no Brasil e são capazes de passar no vestibular ou optarem por permanecer no Japão porque também aprendem o japonês".
O presidente da associação de escolas brasileiras no Japão, Saito Toshio, informou que o esforço para manter as escolas é muito grande. "O trabalho é bem árduo. Aqui o professor é também o faxineiro, é quem tem que fazer transporte, porque os custos de mão de obra no Japão são muito altos", exemplificou.
Saboia informou que o trabalho das escolas é resultado de parceria da comunidade brasileira junto ao Governo do Brasil e de governos locais: "[Esse trabalho] é feito com apoio das comunidades, das prefeituras, de alguns governos provinciais que têm atentado para a importância da integração", destacou o embaixador.
Brasileira no Japão
Diferente da maior parte dos brasileiros no Japão,a tradutora Keiko Hota, 55, já falava japonês quando chegou ao país. Neta e filha de japoneses emigrados para o Brasil, ela nasceu no interior de São Paulo, mas resolveu fazer o caminho inverso da família japonesa: “Tinha muito essa vontade de conhecer a terra natal de meus pais, a cultura de que tanto eles falavam”. Ela explicou que aprendeu a língua com a família: "Meus avós vieram pequenos ao Brasil e sempre falaram japonês. Depois, nos ensinaram". O domínio da língua permitiu que Keiko se inserisse com mais facilidade no sistema educacional e no mercado de trabalho japonês. Ela se formou no Japão e hoje é tradutora de japonês-português.
Contexto histórico
Mesmo que muitos imigrantes brasileiros no Japão sejam de famílias japonesas, eles não aprenderam o idioma em casa como a tradutora Keiko. Isso porque a maior parte das famílias japonesas migrou para o Brasil até a década de 30, quando o então Governo Vargas (1937-45) proibiu o uso e o ensino de línguas estrangeiras no país. Já a família de Keiko chegou ao Brasil em 1959, após as grandes vagas migratórias japonesas para o Brasil e quando as restrições a línguas estrangeiras não vigoravam mais.