
Por Lúcia Guerra
O ex-ministro da saúde do governo Michel Temer, Ricardo Barros, que exerceu a função entre maio de 2016 e abril 2018, deixou legados positivos em sua passagem pela pasta. A gestão de Ricardo Barros foi marcada pela desburocratização de processos por meio da inserção de tecnologia. Por exemplo, houve a implantação de aplicativos, que usam algoritmos inteligentes, o que permitiu destravar diversos programas do Ministério da Saúde gerando redução de recurso nas tarefas administrativas além de otimizar o tempo.
A formação de Ricardo Barros alia a experiência política com a tecnologia, experiente engenheiro, é ex-prefeito de Maringá, e possui quatro mandatos como deputado federal. Por isso, foi escolhido para gerenciar uma das pastas mais complexas do Governo Federal, na qual a carência de recursos é uma variável constante. Infelizmente é impossível planejar ocorrências de epidemias – de doenças até extintas –, surtos de viroses e socorros emergenciais. Essas demandas inesperadas ocorrem com grandes oscilações entre um ano e outro e surgiram na administração de Ricardo Barros.
Embora essas intercorrências tenham afetado o potencial desempenho do ministro, nota-se, ao longo do tempo, que o Ministério da Saúde só funcionou a contento nas ocasiões em que seus Ministros nomeados tinham “carta branca”, para montar uma competente equipe embasada na meritocracia, oportunizando estabelecer metas e objetivos que enfatizassem a técnica e o planejamento em detrimento das pautas políticas. Adib Jatene e José Serra foram os únicos que administraram a saúde sem nenhuma interferência político/partidária, com nomeações para cargos estratégicos indicados por bancadas ou parlamentares influentes. Desde então, o Ministro nomeado só tem o direito de escolher seu chefe de gabinete. Principalmente se a pasta for entregue a um partido, fato que permite a todos seus membros com mandatos no parlamento, lotearem as principais funções, indicando pessoas despidas de vocações ou capacidades para ocuparem inúmeros cargos eminentemente técnicos.
Mesmo com todo este grau de dificuldades, Ricardo Barros – conhecido pela classe política paranaense como o mais hábil de seus negociadores – com desenvoltura conseguiu se impor através de suas ideias e propostas inovadoras, enquadradas na rígida política de austeridade administrativa, promovendo cortes e gastos excessivos, resultando numa economia de 4.9 bilhões de reais em sua gestão.
Informatizar todo o sistema do MS era a principal bandeira de Ricardo Barros, o que controlaria estoques de medicamentos, licitaria medicamentos com melhores preços e, ao mesmo tempo, fomentaria os setores de pesquisas das Universidades Públicas. A dobradinha produção nacional e aquisição pública, funcionaria com a boa rede de laboratórios que já existem, como o LAFETE da UFPE. Todavia, para que este avanço se tornasse parte de um programa em longo prazo seria necessário que o Presidente Michel Temer tivesse dado autonomia para seu Ministro comandar, de fato, a Saúde. Fato que não aconteceu. Mas pode acontecer com o Presidente eleito, Jair Bolsonaro, caso a meritocracia e a experiência realmente prevaleçam como filosofia de escolha dos membros de primeiro escalão.
Além do conhecimento em gestão da saúde, Ricardo Barros é casado com a atual governadora do Paraná Cida Borghetti, goza de um bom trânsito nos corredores da Câmara dos Deputados e tem atributos que se encaixam dentro do perfil da equipe que está sendo selecionada pelo novo Presidente Jair Bolsonaro.

Lúcia Guerra é jornalista e escreve para vários sites sobre política.
| Jornalista. DRT-DF 12054