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Oscilações tarifárias e impactos no caixa das empresas: como se proteger em tempos de incerteza comercial

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redacao@justicaemfoco.com.br 10 de maio de 2025
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Por Beatriz Finochio

As idas e vindas do "tarifaço" norte-americano, adotadas a partir desta semana na gestão do presidente Donald Trump, acendem um alerta importante para empresários do mundo inteiro, mas especialmente aos brasileiros que exportam ou dependem de insumos internacionais. Mais do que uma disputa pontual, as tarifas de importação e exportação sempre foram, historicamente, uma ferramenta de poder econômico e político.

A história nos dá lições valiosas: na famosa Revolta do Chá, por exemplo, a Inglaterra elevou tributos sobre o chá para afirmar sua autoridade sobre as colônias americanas, desencadeando uma reação que culminaria na independência dos Estados Unidos. Séculos depois, Napoleão também usou tarifas e bloqueios econômicos para isolar adversários e fortalecer sua posição na Europa.

Esses exemplos mostram que, em cenários de tensão global, é comum que as tarifas sejam usadas como instrumentos de barganha e demonstração de força. Para as empresas, esse ambiente de oscilações constantes traz impactos diretos no fluxo de caixa, na precificação e na previsibilidade das operações.

As tarifas recíprocas têm efeito cascata em vários países. Por que? Cito o exemplo de Taiwan. Existe uma tarifa para mercadoria produzida lá chegar aos Estados Unidos e, dos Estados Unidos para o Brasil. Essa exportação e importação vai ser sobrecarregada. É uma cadeia interligada, impactando  diretamente nos produtos de uso e consumo e na nossa forma de consumir. Os efeitos para o Brasil. Eles são muito incertos. A China compra muitos produtos do Brasil, mas qual será a capacidade dela num futuro próximo? E ao contrário? O momento é de especulação em que as próprias indústrias nacionais estão acompanhando a oscilação do dólar antes de qualquer decisão.

O que fazer diante desse cenário? Planejamento tributário é fundamental. Estar preparado para volatilidade do dólar. O custo da prevenção é sempre melhor do que o do reparo. O que isso significa? Em resumo, buscar antecipações em razão das incertezas do mercado global. As empresas que já estão se adequando à reforma tributária, por exemplo, são empresas que estão na frente. Por quê? Porque elas já estão se adaptando e fazendo caixa e refazendo o cálculo do preço para repassar para o contribuinte e/ou consumidor muito antes.

Para quem depende de importação, é fundamental acompanhar de perto as decisões tarifárias e entender os prazos para a entrada em vigor dessas medidas, já que muitas vezes elas são anunciadas para o mês seguinte e podem pegar o empresário de surpresa. Empresas exportadoras, por sua vez, devem buscar diversificar mercados e manter uma relação próxima com seus fornecedores, criando cláusulas contratuais que permitam mais flexibilidade em períodos de alta volatilidade. Acima de tudo, planejamento tributário deixa de ser uma mera formalidade, em especial no Brasil, e passa a ser uma condição imprescindível para o crescimento sustentável de um negócio, ou seja, de sobrevivência.

Beatriz Finochio é empresária, sócia fundadora da BF Company e advogada tributarista, especialista em M&A pelo Insper. Atuou com centenas de empresas de grande porte executando a transação tributária e redução de tributos e economizando mais de 1,3 bilhões de reais.

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