
A equipe que coordena o marketing e orienta o candidato Jair Bolsonaro (PSL), ora posicionado com folga na lideranças das pesquisas de intenção de votos - com vistas à realização do segundo turno (28/10/2018) - ainda não atentou para o fato que o “calcanhar de Aquiles” do seu opositor, Fernando Haddad, é ausência de propostas para Educação. Antecipar-se neste momento, é usar o ataque como defesa - repetindo o feito de Bolsonaro sobre o “Bolsa Família” – que prometeu criar o seu 13º. Tirou o discurso do adversário, neutralizando quaisquer reações na região mais dependente deste programa social: Nordeste.
O que apresentará como “novo” Fernando Haddad para Educação? No período em que foi Ministro (2005/2012), anualmente o país despencou em todos os índices dos rankings internacionais, que aferem a qualidade e nível do ensino. Conquistamos a humilhante posição de “lanterna” na América do Sul, e estamos atrás de uma dezena de nações Africanos, geograficamente localizadas na região subsaariana, considerada como maior bolsão de pobreza do planeta.
O ex-ministro Fernando Haddad não assimilou que o conceito “educação” sociologicamente é por demais abrangente, e paradoxalmente diferenciado daquilo que se configura na prática como “aprendizado”. Em sua gestão, promoveu expansão no ensino superior – atualmente uma trincheira ideológica do seu partido - criando inúmeros mecanismos como o FIEIS, resgatando um projeto dos governos militares, conhecidos como Crédito Educativo. O ENEM (1988 governo FHC) foi aproveitado pelo PT e ganhou gigantesco espaço em toda a mídia nacional no período de Haddad como Ministro da Educação. Não pela qualidade ou eficiência do exame. Mas, por tornar-se notícia policial, pelas fraudes ocorridas a cada edição anual. A aplicação das provas envolvia todas as Forçar de Segurança do país: Exército. Polícia Federal; Polícias Civis e Militares de todos os Estados; ABIN e até Corpo de Bombeiros.
A incapacidade de realizar um simples exame de avaliação do ensino médio, já mostra a dificuldade que o candidato petista teria para administrar um país de dimensões continentais como o Brasil. Fernando Haddad, no período em que esteve Ministro, privilegiou o ensino superior pela “quantidade”, abominando a qualidade. As Universidades tornaram-se centros de discussões ideológicas (gêneros, opções sexuais; racismo e quotas) ignorando a essência de sua existência: pesquisa. O atual candidato do PT mostrou-se completamente alheio a discussão sobre novos projetos para avançar no ensino fundamental. Como inovação, acatou a ideia e tentou implantar o “Kit gay”, fato que hoje nega em público. Faltou-lhes a capacidade para pelo menos debater as dificuldades do ensino médio, patrocinado pela rede pública estadual.
Um dos livros do Professor Moací Alves Carneiro - Doutor na área de Educação - intitulado “O Nó do Ensino Médio” (Editora Vozes), lançado a cerca de seis anos, traz uma “amostra” ou radiografia completa do “gargalo” da educação brasileira, baseando-se em estudos, dados, pesquisas e estatísticas das últimas três décadas. Em outros trabalhos sobre o mesmo tema, o autor destaca e ensina passo a passo, como melhorar o “aprendizado”, a partir da concepção de políticas inovadoras na área, com ideias simples e claras, distantes dos exaustivos e ininteligíveis debates acadêmicos, promovidos pelas “elites” intelectuais do MEC, que esbarram num ponto fora da curva.
A recente reeleição do governador Flávio Dino no Estado do Maranhão – em primeiro turno – sepultando todas as oligarquias cinquentenárias, está além da questão partidária ou do “lulismo” que permeia a região. O governador ou seu Secretário deve ter lido “O Nó do Ensino Médio”. Sua recondução deve-se a revolução na educação promovida na primeira gestão, quando elevou o nível do ensino, e priorizou o aprendizado como principal meta de sua administração. Um professor do Estado do Maranhão, percebe hoje o maior salário do país, quando comparado às demais unidades da federação. Ao valorizar o Professor, e reciclar o quadro existente, a carreira do magistério tornou-se atrativa e competitiva. Os Maranhense, que habitam um estado rico, o reconduziram na certeza que os mais diversos tipos de analfabetismo serão erradicados, e com eles – como as velhas oligarquias – a pobreza e miséria serão inumadas.
Júnior Gurgel (foto) – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa.