
Ronaldo Nóbrega
Editor Sênior Justiça em Foco
A ida de Roberto Campos Neto e Otávio Damaso para cargos de liderança no Nubank acendeu o alerta no movimento sindical bancário. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, classificou o caso como exemplo cristalino da porta giratória que enfraquece a confiança nas instituições públicas.
Segundo ela, a movimentação escancara a promiscuidade entre o setor regulado e os órgãos de regulação. Campos Neto e Damaso ocuparam posições estratégicas no Banco Central justamente no período em que a autarquia mais favoreceu o avanço das fintechs no país. Entre as medidas implementadas estão a digitalização bancária, o Open Finance e os ambientes regulatórios experimentais que impulsionaram empresas como o Nubank.
Neiva Ribeiro afirma que o caso não deve ser tratado como exceção. Para ela, é um sintoma de um sistema que permite que formuladores de políticas migrem rapidamente para empresas que se beneficiaram diretamente de suas decisões. Em democracias mais maduras, como Reino Unido e Estados Unidos, há regras rígidas de quarentena e avaliação ética antes da transição para o setor privado. No Brasil, a quarentena é de até seis meses e, na prática, raramente aplicada.
A presidenta dos bancários alerta que a repetição desse tipo de movimento enfraquece a credibilidade do Banco Central e aprofunda a captura regulatória. Segundo ela, a neutralidade das decisões públicas fica comprometida quando ex-reguladores passam a atuar como executivos de empresas que ajudaram a moldar o ambiente de negócios.
Para Neiva, é preciso romper esse ciclo vicioso. A criação de mecanismos legais mais rígidos e de fiscalização eficaz são passos urgentes para proteger o interesse público e garantir que o sistema financeiro atue com transparência, ética e responsabilidade institucional.
A redação do portal segue à disposição pelo e-mail redacao@justicaemfoco.com.br para receber o posicionamento oficial da assessoria de imprensa do Nubank.
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