OAB repudia tentativa de extinção do Senado por causa da crise Sarney
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O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, repudiou hoje (27) qualquer tentativa de extinção do Senado em virtude da grave crise enfrentada por aquela Casa legislativaapós a divulgação de escândalos envolvendo o seu atual presidente, senador José Sarney (PMDB-AP). "O Senado é o que garante o equilíbrio federativo no país. Por isso, a crise de um de seus integrantes não poder afetar, em hipótese alguma, a instituição". Britto lembrou que a discussão sobre a possível extinção do Senado pode ter um efeito colateral muito preocupante: o fim do próprio Parlamento, o que somente interessaria aos autoritários e amantes da ditadura.
No entanto, o presidente da OAB defende uma reforma política com a redução do mandato dos senadores de oito para quatro anos - mesmo período dos deputados - e a extinção dos chamados "senadores clandestinos", o suplente que assume a vaga do titular sem a necessidade de votos dos eleitores. Britto defende, ainda, com muita ênfase a criação do "recall", mecanismo que agilizaria a cassação de parlamentares que abusam economicamente e compram votos para conseguir um mandato eletivo.
Britto quer uma profunda reforma para que seja remodelada a estrutura política do País, "a fim de que expressões como contratos secretos, mensalão, sanguessugas e valeriodutos e cooptação deixem o cenário nacional e sejam substituídos por palavras como política e não politicagem, como coalizão, respeito e transparência à vontade do eleitor". A reforma política deve ser agora para valer até porque ela se constitui como uma exigência da sociedade brasileira.
"Não há possibilidade de retrocesso no encaminhamento da reforma política, vamos fazê-la para melhorar a cara do País", concluiu Cezar Britto