
A criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica, o Sinaept, começa a mobilizar especialistas da área. Entre eles, o procurador de Estado e ex-conselheiro de Educação do Distrito Federal Hélio Laranjeira (foto), que defende uma mudança de paradigma: avaliar menos a burocracia e mais os resultados produzidos pela formação profissional.
Em artigo, Laranjeira sustenta que o Brasil precisa abandonar um modelo centrado em prédios, documentos e processos administrativos para medir aquilo que realmente importa: aprendizagem, permanência, desenvolvimento de competências, empregabilidade e aumento de renda dos estudantes.
O ex-presidente da Câmara de Educação Profissional e Tecnológica do Conselho de Educação do DF alerta que o Sinaept corre o risco de nascer utilizando instrumentos concebidos para outra realidade. Para ele, a educação técnica exige critérios próprios, mais conectados às transformações tecnológicas, às demandas do mercado de trabalho e às vocações econômicas de cada região.
A proposta também amplia o conceito de infraestrutura educacional. Em vez de restringir a avaliação aos muros da escola, defende o reconhecimento de ambientes como hospitais, indústrias, laboratórios compartilhados, simuladores, inteligência artificial e plataformas digitais como espaços legítimos de aprendizagem.
Na avaliação de Laranjeira, a tecnologia permite que o acompanhamento deixe de ser uma fotografia obtida durante visitas presenciais e passe a funcionar como um monitoramento contínuo da trajetória do estudante. O objetivo é transformar o Sinaept em um sistema de inteligência para orientar políticas públicas, fortalecer instituições e ampliar as oportunidades de inserção profissional.
A discussão começa antes mesmo da implantação do novo modelo e sinaliza que o maior desafio talvez não seja criar um sistema nacional de avaliação, mas definir exatamente o que o Brasil pretende medir quando fala em qualidade na educação profissional.
Leia, no link, a íntegra do artigo de Hélio Laranjeira publicado no Correio Braziliense.