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Como a pauta LGBT dominou a mídia: O caso da transsexual Suzy

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Ana Menezes |
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Após reportagem do Fantástico com o Dr. Drauzio Varella, a triste história de Suzy veio à tona. Uma transsexual presa que não recebia visitas há 8 anos. O Brasil se comoveu e centenas de pessoas enviarem cartinhas amorosas e promoveram campanhas a favor de Suzy. Um dia depois, descobriu-se que Suzy havia estuprado, matado e ocultado o cadáver de um garoto de 9 anos.

Obviamente aquela comoção de outrora se transformou em um sentimento de nojo, ira e revolta. Choveram críticas ao jornalismo pífio da Globo fazendo de Suzy a vítima da história. Há algum tempo venho observando os rumos do jornalismo brasileiro, das polêmicas geradas, das fake news. Muito me espanta como a pauta LGBT tomou o noticiário. Muito me revolta como isso é assunto em cada lugar que se vá. 

Não porque sou homofóbica, mas apenas racional. Ora, essa minoria representativa e também absoluta sobrepuja assuntos muito mais relevantes nos canais e redes sociais, como economia, política, saúde e segurança. Coisas que atingem toda a população, seja hetero, homo ou trans. Talvez a Globo tenha até ocultado de propósito o crime de Suzy para que a repercussão (positiva ou negativa) se alastrasse por uma semana inteira. Acho que esse é o prazo para o assunto esmorecer e uma nova polêmica vir à tona. Sei que é indignante, sei que a vontade é comentar, curtir, descurtir, compartilhar, enviar no grupo da família. Mas, lembrem-se que a Globo vende audiência e não conteúdo. 

Se quiser conhecimento, busque estudos e não notícias. Vale lembrar também que a Globo, como outras emissoras, apoiavam o governo militar. Já durante a redemocratização fizeram campanha pró-Collor, até queimá-lo e fazê-lo sofrer o impeachment. Apoiou também Fernando Henrique e sua reeleição na década de 1990. 

Nos anos 2000 apoiaram o Lulinha paz e amor, nos anos seguintes apoiaram Dilma, mas rapidamente pularam do barco petista que afundava e apoiaram também o seu impeachment, exatamente como fizeram com Collor. Ou seja, dança-se conforme a música e, hoje, a música que toca é a pauta LGBT. Não se esqueçam que sem as suas interações nas redes sociais, a mídia digital não vende publicidade, sem a sua audiência televisiva, os anunciantes não pagam fortunas para expor seus produtos no intervalo do Fantástico. Então aqui vai minha sugestão: se você despreza esse tipo de reportagem, porque, como eu, não considera minimamente relevante para o progresso de nossa sociedade, despreze também a repercussão em torno dela. Despreze os comentários, despreze os programas, simplesmente despreze. A sua indiferença será mais prejudicial ao mau jornalismo que comentários revoltosos.

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