MAIS RECENTES
 

Expresso

Cotado para Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares, Tenente Davi diz: “estou preparado para desempenhar essa missão”

Copyright
Imagem do Post
Da redação (Justiça Em Foco) por Carla Castro de Nóbrega |
Ouça este conteúdo
1x

BRASÍLIA - Em entrevista por telefone, ao Site Justiça em Foco, nesta quarta-feira (09), o Tenente Davi (foto), militar do Exército há 30 anos, formado em Direito, com especialização em Prestação Jurisdicional é um dos nomes cogitados a assumir a Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares. 

Logo nos primeiros dias do governo Jair Bolsonaro, houve mudanças na estrutura do Ministério da Educação (MEC) que passa a contar, agora, com a Secretaria de Alfabetização, a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação, além de uma Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares, sobre esta última, entrevistamos o Tenente Davi que, há algum tempo, vem defendendo as escolas cívico-militares.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Justiça em Foco: Tenente Davi, um grande prazer entrevistá-lo. Como o senhor enxerga a criação da Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico­-Militares?

Tenente Davi: Primeiramente, quero agradecer pelo convite do Justiça em Foco. Olha, eu fico muito feliz em ver que o Presidente Bolsonaro levou a diante o que nós discutimos durante a campanha. Ele prometeu, não só para mim, mas para todos os brasileiros que, se fosse eleito, implantaria o projeto da gestão militar nas escolas públicas. Quando eu vi que, logo no 2º dia de mandato, ele enviou o Decreto 9.465 criando toda uma estrutura organizacional para implantar o modelo das escolas cívico-militares, eu quase não acreditei. Falei para todo mundo: olha aí a minha ideia!

Justiça em Foco: O senhor se vê como um nome cotado para assumir essa subsecretaria?

Tenente Davi: Na realidade, a única coisa que posso afirmar é que estou preparado para desempenhar essa missão, afinal, no jargão militar, missão dada é missão cumprida! Caso o nosso Presidente me convoque, aceitarei com o maior orgulho. De qualquer maneira, o meu maior desejo, que é ver a Educação do nosso país melhorar, já está em andamento. Sinto que, de certa forma, eu já dei a minha contribuição, mesmo sabendo que posso contribuir ainda mais.

Justiça em Foco: Quais contribuições você daria para esse projeto?

Tenente Davi:  Tenho um modelo de implementação que eu mesmo desenvolvi para o Distrito Federal, mas que acabei adaptando e expandido para ser aplicável em todo o Brasil. Esse modelo é dividido em 5 fases: a fase 1 se inicia com o diálogo entre o Governo Federal, os estados e municípios, porque o projeto depende da aprovação de uma lei específica no local onde será implementado, não queremos impor isso goela abaixo. Após essa fase institucional, é iniciada a fase técnica que irá promover um levantamento prévio da situação das escolas e classificá-las quanto a diversos fatores, por exemplo, nível do ensino médio, fundamental ou os dois, localização da escola, número e perfil socioeconômico dos alunos dentre outros critérios. Nessa fase também é escolhida uma lista de possíveis escolas candidatas a receberem o modelo juntamente com o governo local. Na terceira fase as escolas selecionadas são comunicadas, aí começa o diálogo com diretores, professores, pais e alunos, nossa intenção é fazer tudo democraticamente, então será apresentado o modelo e perguntado para essas pessoas se desejam a implementação da nova gestão militar na escola, uma espécie de votação. Dentre as escolas que aceitarem, a primeira da lista de prioridades servirá para a fase de testes. Na quarta fase serão designados os gestores militares da Polícia, Corpo de Bombeiros ou do Exército que promoverão o treinamento dos professores e explicarão a nova rotina de funcionamento da escola. A partir desse momento a escola passaria a ser monitorada em diversos aspectos, inclusive nas provas de proficiência aplicadas pelo próprio Ministério da Educação.

A última fase é a análise do ciclo escolar, os dados obtidos serão comparados com os anos anteriores e feitos ajustes pontuais. Com a classificação da escola, obtida na segunda fase, e com os ajustes prontos, o novo modelo testado seria implantado em escolas de mesma classificação, isto é, semelhantes nas suas características, mas em outras cidades, estados e regiões.

Justiça em Foco: O senhor acha que a sociedade, como um todo, irá aceitar esse modelo de gestão militar?

Tenente Davi: Obviamente vai haver alguma resistência, mas, no geral, quem não quer que o filho respeite os professores e tenha disciplina? Quando se pensa em administração militar a primeira imagem que vem a mente das pessoas é da organização, hierarquia e disciplina. Alguns valores éticos como o civismo e o respeito às autoridades instituídas estão se perdendo e afetando, sobremaneira, a juventude. Esse projeto visa resgatar esses valores ao mesmo tempo em que irá melhorar a assiduidade, o desempenho e o aprendizado dos jovens. Temos muitos exemplos de escolas militares e cívico-militares extremamente bem-sucedidas, em Goiás há 46 escolas com gestão militar, no Amazonas esse modelo foi implantado para recuperar uma escola dominada pelo crime organizado. Em pouco tempo houve uma grande mudança em todos os aspectos, inclusive no exemplo a ser seguido pelos jovens que passou do traficante para o policial. Então, respondendo à sua pergunta, eu creio que a sociedade será a maior defensora desse modelo, e me arrisco a dizer que vai ter briga para escolher em qual escola a administração militar vai ser implantada.

Justiça em Foco: Quanto tempo demoraria para ter, no mínimo, uma escola dessas em cada estado da federação?

Tenente Davi: Existem muitas nuances que irão definir o ritmo de implementação e que não dependem só do Governo Federal. Contudo, creio que não haverá muita resistência das administrações locais, nem da sociedade. Então, vou dar a projeção que fiz para o meu projeto que é ter, até 2020, uma escola em cada estado. Iniciar a fase de testes ainda em 2019 para ter um modelo testado, corrigido e aperfeiçoado para ser expandido a partir de 2020. Então, em 2 anos poderíamos ter, em média, 300 novas escolas cívico-militares espalhadas pelos quatro cantos do Brasil.

Justiça em Foco: Minha última pergunta, o que o senhor espera do novo governo?

Tenente Davi: Como grande parte da população, estou muito esperançoso pelas mudanças que vão acontecer. O Presidente e sua equipe estão pensando no futuro do Brasil, estão criando um projeto de governo e não um projeto de poder. Vejo boas perspectivas em todas as áreas mais importantes: Saúde, Educação, Segurança Pública, Trabalho, Economia, Combate à Corrupção, enfim, nós elegemos alguém que não tem medo de instituir mudanças, alguém que se identifica com a maior parte da população e que irá promover um governo transparente, honesto e eficiente. Os ministros estão muito bem preparados, são homens e mulheres técnicos, sérios e comprometidos. Por fim, eu realmente espero que o Brasil seja uma referência em educação, que as escolas cívico-militares elevem o nível do ensino público, que forneçam condições justas para o filho do pobre disputar uma vaga no vestibular com o filho do rico, que forme cidadãos mais respeitosos com seus pais e professores, que o patriotismo e o civismo sejam qualidades admiradas por todos e que preparemos bem a juventude que irá reger esse país nas próximas décadas.  

Quer mandar uma sugestão de pauta? Então, envie e-mail para o endereço: 

redacao@justicaemfoco.com.br

Da redação (Justiça Em Foco) por Carla Castro de Nóbrega |

Compartilhe!