
Ao lado do presidente do TJRJ e governador em exercício, Ricardo Couto de Castro, e do corregedor geral da Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Brandão de Oliveira, e do min. do STJ Benedito Gonçalves, o ministro Campbell Marques entregou o documento a senhora Sara Pires Gomes.
A entrega do título de propriedade a três moradores do Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara, na zona oeste do Rio de Janeiro, simbolizou a conquista de cerca de outras 12 mil famílias da localidade. O ato marcou a abertura da terceira edição da Semana Nacional do Solo Seguro — Favela e Comunidades, na manhã desta segunda-feira (25/5). O evento contou com a participação do corregedor nacional de Justiça, ministro Campbell Marques.
Ao lado do presidente do TJRJ e governador em exercício, Ricardo Couto de Castro, e do corregedor-geral da justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Brandão de Oliveira, o ministro Campbell Marques entregou o documento à senhora Sara Pires Gomes. “Tive o dever de pedir perdão aos três proprietários pela demora para fazer com que exerçam um direito que é deles”, destacou o corregedor nacional.
Campbell Marques lembrou que o evento se tornou política permanente do CNJ, de articulação institucional para a promoção da regularização fundiária urbana e o fomento de ações sociais, urbanísticas, jurídicas e sociais relacionadas à regularização fundiária urbana (Reurb). “A realização da semana é um esforço cooperativo concentrado que reafirma o compromisso coletivo com a cidadania, com a dignidade humana e com a construção de cidades mais justas inclusivas e sustentáveis”, destacou o corregedor.
Ele ressaltou, ainda, que o trabalho somente é possível com a reunião de esforços entre o Poder Judiciário, os cartórios de registro de imóveis, os governos das três esferas, os movimentos sociais, as universidades e os centros de pesquisa e a sociedade civil organizada, além da ação coordenada das corregedorias-gerais dos tribunais de justiça de todo o país.
Realizadas desde 2023, durante as semanas foram entregues mais de 100 mil títulos registrados em cartório. “Essas ações trazem impacto humano, com famílias mais seguras, uma mulher que passa a ter proteção patrimonial, uma criança que cresce com mais proteção, uma comunidade que deixa de existir apenas informalmente para ser reconhecida plenamente pelo Estado brasileiro”, enumerou o corregedor nacional.
Para o presidente do TJRJ e governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, trata-se de iniciativa proativa. “No sentido de buscar formas que possam evitar aumento de demandas no Judiciário e dar à população a devida prestação do direito a que tanto merece”, afirmou.
Ao explicar a regulamentação desenvolvida no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara, o corregedor-geral da Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Brandão de Oliveira, enfatizou o diálogo institucional intenso para alcançarem resultados mais rápidos. “Durante quatro anos, conseguimos regularizar cerca de 8 mil imóveis. Agora em quatro meses do provimento com essa finalidade, foram 12 mil títulos outorgados, e a expectativa é que nos próximos meses chegue a 80 mil famílias beneficiadas”, assegurou.
Antes do início das atividades da Semana Nacional Solo Seguro — Favela, o corregedor Campbell Marques informou que, até a sexta-feira (29/5), o TJRJ recebe a equipe da Corregedoria Nacional de Justiça para inspeção de seus setores administrativos e judiciais. A inspeção verifica a compatibilidade das práticas administrativas judiciais do tribunal com os atos normativos estabelecidos pelo CNJ.

Solenidade de abertura da Semana Solo Seguro — Favela e Comunidades e da inspeção da Corregedoria Nacional de Justiça no TJRJ. Foto: TJRJ
“Trata-se de análise de amplo espectro e de natureza cooperativa voltada a aprimorar rotinas e identificar práticas de referência para replicá-las para os demais tribunais do Brasil, promover a conformidade institucional e identificar possíveis melhorias, eventuais ineficiências e áreas de risco”, explicou.
O evento foi encerrado com lançamento do livro “Moradias sobre as Águas: regularização fundiária das palafitas no Brasil”. A obra coordenada por Mauro Campbell registra a realidade dos brasileiros que vivem em casas erguidas em margens de rios ou terrenos alagados. “São pessoas que infelizmente flutuam invisíveis ao poder público. A regularização fundiária das palafitas é mais um dos grandes desafios dos governantes, principalmente no Norte do país”, disse Campbell Marques.

Livro “Moradias sobre as Águas: regularização fundiária das palafitas no Brasil”. Foto: TJRJ
Os autores são o biólogo Ayrton Klier Péres Junior, o advogado Felipe Boni de Castro e o arquiteto Gustavo Braz Carneiro. Os escritores trazem para discussão soluções jurídicas e sociais para a regularização fundiária de quem mora sobre palafitas.
Foto: TJRJ