MAIS RECENTES
 
Por Ronaldo Nóbrega
Por Ronaldo Nóbrega

CEO e editor do portal Justiça em Foco, jornalista e memorialista.

ronaldo.nobrega@justicaemfoco.com.br

Fim da novela na Usiminas

Copyright Divulgação
Imagem do Post
Ronaldo Nóbrega 08 de janeiro de 2026
Ouça este conteúdo
1x

Há decisões que dizem mais pelo silêncio do que pelo barulho. A Usiminas anunciou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou, sem um único asterisco, a venda de uma fatia relevante da companhia à Ternium Investments. Sem restrições, sem condicionantes, sem drama. E com trânsito em julgado. Tradução: o assunto morreu no balcão da burocracia e morreu bem.

A operação envolve a saída elegante, quase japonesa no sentido cerimonial, da Nippon Steel Corporation e da Mitsubishi Corporation, que detinham ações vinculadas a um acordo de acionistas firmado em 2023. O papel existe para disciplinar vontades. Quando deixa de existir, revela que as vontades mudaram. Mudaram e foram homologadas.

O recado do Cade é cristalino. Não há ameaça à concorrência, nem concentração excessiva, nem prejuízo ao consumidor. Em outras palavras, o mercado siderúrgico brasileiro não entrou em colapso por causa disso e não entrará. Quando o antitruste carimba “sem restrições”, está dizendo que o risco alegado não passou de retórica.

Para a Ternium, o resultado é a consolidação de posição e de poder. Para Nippon e Mitsubishi, é a saída de cena de um acordo que já não fazia sentido estratégico. Para o mercado, talvez o ponto mais relevante seja a redução do ruído regulatório, com mais previsibilidade societária e menos novela. Investidor gosta disso. Analista também.

No fim, a decisão não muda o aço, não altera o preço da bobina, não revoluciona o setor. Mas organiza o tabuleiro. E, na economia real, organização costuma valer mais do que discursos inflamados. Aqui, o Cade falou baixo e resolveu.