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Energia parada no discurso

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Ronaldo Nóbrega 28 de março de 2026
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No Rio, o Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania juntou especialistas, diagnósticos bem acabados e um velho problema brasileiro: fala-se muito, faz-se pouco.

Enquanto o mundo lida com crise energética em meio a conflitos no Oriente Médio, o Brasil segue assistindo quase com indiferença à perda de oportunidades óbvias de integração com os vizinhos.

Pedro Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, colocou o dedo na ferida. Há projetos claros, viáveis e necessários. Gasoduto no Sul, conexão no Centro-Oeste, integração no Norte com as Guianas. Tudo conhecido, tudo debatido, nada entregue.

A América Latina, aliás, parece ter um curioso complexo de vira-lata energético. Prefere olhar para Europa e Ásia, enquanto ignora o potencial de construir um mercado comum entre países que compartilham fronteiras e carências.

No debate sobre transição energética, outra obviedade apareceu. Não existe transição limpa sem inclusão. E inclusão, no Brasil, ainda começa pelo básico.

Cerca de 20% das famílias convivem com pobreza energética. Gente que ainda depende de lenha, que não tem acesso pleno ao gás, que paga mais caro pela ineficiência do sistema.

A conta é simples. Sem política pública consistente, a chamada transição vira um luxo de quem já tem acesso.

No fim das contas, o seminário entregou aquilo que Brasília já conhece de cor: diagnóstico preciso, discurso sofisticado e execução travada.

O encontro tratou da integração energética na América Latina e das novas rotas tecnológicas para a transição energética, realizado nos dias 25 e 26 de março, no Rio de Janeiro.

Frentes de energia

É fato que o Congresso Nacional abriga estruturas formais voltadas ao tema, como a Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (FREPPEGEN) e a Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia. O problema é que, até aqui, a presença institucional não tem se traduzido em avanço concreto na integração energética nem na execução das obras que o próprio setor reconhece como prioritárias.