
Foram abertas na manhã desta terça-feira (2), em Olinda (PE), as comemorações pelos 200 anos da Confederação do Equador. O evento ocorreu no Centro Cultural Eufrásio Barbosa com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e da senadora Teresa Leitão (PT-PE), presidente da comissão temporária do Senado que coordena as atividades de celebração desse bicentenário.
— Frei Caneca acreditava que os homens deviam passar de súditos devedores de obediência ao rei soberano a cidadãos detentores de soberania. (...) Neste pleno século 21, ainda vemos políticos que querem reduzir o cidadão, se não a súdito, mas a escravo de seu comando e de suas manipulações. Cabe a nós todos recuperarmos o legado de Caneca, para que possamos voltar a avançar na construção de um Brasil mais justo, mais solidário, mais cidadão, e verdadeiramente dedicado ao resgate da nossa dívida social com os mais necessitados. Salve o bicentenário da Confederação do Equador, salve a terra dos altos coqueiros! — disse Teresa Leitão na cerimônia em Olinda.
A governadora Raquel Lyra, por sua vez, disse que os ideais de democracia e liberdade são características do povo pernambucano. Ela lançou o edital do Concurso para o Prêmio Frei Caneca de Teatro, que prevê R$ 300 mil em premiação. Até julho de 2025, o governo de Pernambuco vai promover atividades sobre a Confederação e seus valores.
No evento foram apresentados: um selo postal comemorativo em parceria com os Correios; a programação de eventos científicos; ações na Universidade de Pernambuco (UPE); a reedição da obra Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, de Edvaldo Cabral de Mello, pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe); e uma cartilha para os professores dos anos finais da rede estadual.
O encerramento da cerimônia teve a apresentação do espetáculo Frei Caneca – 200 anos da Confederação do Equador, que tem direção de Carlos Carvalho e produção de Paulo de Castro.
Também participaram da solenidade a vice-governadora Priscila Krause; o ex-governador de Pernambuco Gustavo Krause; deputados e deputadas estaduais; o prefeito de Olinda, professor Lupércio; representantes do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça de Pernambuco; secretários estaduais e a presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Renata Borba.
A programação prossegue na quarta-feira (3), com uma série de palestras no Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico do Estado, localizado na Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife. Dentre elas, “Personagens da Confederação do Equador no Ceará”, por Júlio Lima Verde Campos de Oliveira, às 9h; “Muniz Tavares entre a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador”, por Fred Cândido da Silva, às 9h45; e “A Confederação do Equador como primeira revolução constitucionalista do Brasil”, por André Heráclio do Rêgo, às 14h.
Na segunda-feira (1º), integrantes da comissão fizeram uma pesquisa de material iconográfico e de documentação não disponível em rede na Vila Digital da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.
Comissão e história
A Comissão Temporária em Comemoração aos 200 anos da Confederação do Equador foi criada em 2023 e deve funcionar até março de 2025. Além de Teresa Leitão, compõem o grupo os senadores Humberto Costa (PT-PE), Fernando Dueire (MDB-PE), Jussara Lima (PSD-PI) e André Amaral (União-PB). O objetivo do colegiado é planejar e coordenar as atividades de comemoração do bicentenário.
O movimento revolucionário eclodiu em 2 de julho de 1824 no Nordeste do Brasil. Teve início em Pernambuco, mas rapidamente se espalhou para províncias vizinhas, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Era contra a monarquia de Dom Pedro I e defendia a implantação de um regime republicano.
Na época, o movimento foi proibido e severamente perseguido pelas tropas leais ao imperador. Foram condenadas à morte 31 pessoas, entre elas o Frei Joaquim do Amor Divino, mais conhecido como Frei Caneca, que se tornou um herói entre os revolucionários.
A comissão temporária também já participou de eventos no em Recife (PE) e Fortaleza (CE).
Com Ag. Senado.
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