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Sem Data Centers, não há soberania digital, alerta ABES

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Da redação com ABES. 01 de junho de 2025
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Em uma audiência pública interativa promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado Federal, em 28 de maio de 2025, Andriei Gutierrez, Presidente da ABES - Associação Brasileira das Empresas de Software, destacou a importância estratégica do investimento em data centers no Brasil para a garantia da soberania digital do país. O debate, focado no Projeto de Lei 3018/2024, que visa regulamentar os data centers de inteligência artificial, contou com as participações de diversos especialistas e representantes governamentais sobre o tema.

Andriei Gutierrez iniciou sua fala contextualizando o papel da ABES, que representa mais de duas mil empresas, majoritariamente micro e pequenas, distribuídas por 24 estados e o Distrito Federal. Ele falou sobre a diversidade de perfis de empresas que compõem o ecossistema da ABES, incluindo desenvolvedores de software, prestadores de serviços de integração e gestão de data centers, fabricantes de hardware e até mesmo empresas de chips.

Data Centers é um imperativo estratégico 

Um dos pontos centrais da argumentação de Andriei foi a necessidade de distinguir o conceito geral de data center daquele focado especificamente em inteligência artificial. “Quando a gente fala em data center, a gente precisa tomar muito cuidado e falar sobre o data center de IA. Porque o data center é um centro de processamento de dados”, afirmou. Ele reforçou a análise da diversidade do ecossistema em torno de um data center, que inclui desde os operadores de infraestrutura, os provedores de serviços em nuvem e provedores de serviços finais, entre outros.

O presidente da ABES foi enfático ao afirmar que o investimento em data centers no Brasil não é uma opção, mas sim um “imperativo estratégico”. Ele alertou que o Brasil corre o risco de “ficar no escuro” se não aumentar sua capacidade de processamento de dados internamente. Ele citou exemplos práticos da necessidade de data centers, como as 186 bilhões de transações financeiras realizadas em 2023 pelo setor bancário, segundo dados da Febraban, e o volume de vendas do varejo e e-commerce, que dependem diretamente de uma infraestrutura robusta de processamento de dados.

Atração de investimentos

“É uma deficiência estratégica que você tem que suprir, não proibindo o acesso das soluções, enfim, do processamento no exterior, mas sim gerando condições para ter investimento aqui no Brasil”, salientou Andriei, defendendo uma soberania digital competitiva e pragmática. Isso significa, para a ABES, não fechar as portas para tecnologias e investimentos estrangeiros, mas sim atraí-los, ao mesmo tempo em que se cria um ambiente favorável para o crescimento da capacidade nacional.

Andriei concluiu sua participação reforçando a necessidade de o Senado continuar priorizando o tema dos data centers, que são vitais para o processamento de dados de diversas naturezas, desde pagamentos de e-commerce até a inteligência artificial. “É um imperativo estratégico. O Brasil precisa, cada vez mais, ter capacidade de processamento de dados aqui no país. Sem fechar a oportunidade de investimento e acesso aos dados também processados no exterior”, finalizou.

A audiência também contou com as participações de Igor Marchesini Ferreira, do Ministério da Fazenda, Cristiane Vianna Rauen, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e Guilherme Zanetti Rosa, do Ministério de Minas e Energia, além de Celso Camilo, da Universidade Federal de Goiás, e Affonso Parga Nina, da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom). Elbia Gannoum, Presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) também esteve presente, ressaltando igualmente a necessidade de se alinhar o avanço tecnológico com a eficiência energética e o uso de energia limpa.

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