
CEO e editor do portal Justiça em Foco.
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Em ano pré-eleitoral, o empresariado resolveu simplificar o mapa do mundo. Segundo a Pesquisa Amcham, apresentada na última sexta-feira (30.jan) na B3, a relação com os Estados Unidos surge como a prioridade número um da política externa do próximo governo brasileiro.
Nada de grandes abstrações diplomáticas. Para quem investe, exporta e calcula risco, o eixo é claro. Os Estados Unidos concentram capital, tecnologia, mercado e poder de decisão. Não por acaso, 53% dos empresários apontam o relacionamento bilateral como central, à frente da atração de investimentos e de novos acordos comerciais.
O humor eleitoral acompanha a prudência dos balanços. Predomina a cautela. O cenário é visto como neutro por 39% e pessimista por 31%. Otimismo aberto é artigo raro. A lista de prioridades domésticas também não surpreende: equilíbrio fiscal lidera com folga, seguido por combate à corrupção, segurança pública e juros mais baixos.
No diagnóstico empresarial, a relação Brasil–EUA é estratégica, mas longe de ser confortável. Tarifas continuam sendo o principal entrave, citadas por 70% dos entrevistados. Câmbio instável, barreiras não tarifárias e limitações de escala completam o cardápio de dificuldades.
A agenda desejada é objetiva. Menos barreiras, menos tarifas, mais acesso a mercados. Soma-se a isso cooperação contra o crime organizado, parcerias em investimentos, minerais críticos e o antigo acordo para evitar a dupla tributação.
Apesar do ruído político, o empresariado segue fazendo conta de crescimento. A maioria projeta aumento de faturamento em 2026, impulsionado por mercado interno, eficiência e tecnologia. O recado é simples e pouco ideológico. O próximo governo será julgado menos pelo discurso e mais pela capacidade de entregar previsibilidade, integração internacional e uma economia funcional.
A política pode até oscilar. O capital, como sempre, prefere clareza.