
Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase 30 anos de carreira. Atuou por 12 anos como consulente no TSE e foi autor da Consulta nº 1.185, que levou à Emenda Constitucional nº 52/2006, consolidando a autonomia partidária no Brasil.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis autorizou a CB Bioenergia, instalada em Santiago (RS), a produzir etanol de trigo. A decisão saiu no Diário Oficial da União, aquele lugar onde o Brasil real costuma nascer sem alarde.
É a primeira usina do país com aval oficial para transformar trigo em combustível. O agronegócio, sempre pragmático, resolveu que até pão pode virar energia.
A conta inicial é modesta para padrões nacionais: 100 toneladas de trigo por dia, 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano e um investimento de R$ 100 milhões já enterrado no chão da usina. Enterrado no bom sentido, espera-se.
O apetite, porém, é maior. Até 2027, a empresa fala em 45 a 50 milhões de litros anuais, desde que apareçam mais R$ 500 milhões para a expansão. Capital não falta quando o discurso é verde e o retorno promete ser líquido.
A licença ambiental já tinha vindo em novembro, concedida pelo governo do Rio Grande do Sul. Faltava apenas o carimbo federal. Veio. Agora o trigo entra oficialmente na refinaria do futuro. O Brasil segue inventivo. Às vezes por genialidade, às vezes por necessidade.