
Em resposta à multa de R$ 14 milhões aplicada pelo Procon-SP, a Enel Distribuição São Paulo adotou uma defesa de tom técnico e institucional, apoiada no cumprimento de prazos e na descrição de providências operacionais. A concessionária afirma ter apresentado sua manifestação dentro do período legal e aguarda a tramitação do processo administrativo.
A empresa sustenta que os apagões registrados no fim de 2025 ocorreram em meio a eventos climáticos severos e destaca o reforço de seu plano de contingência. Entre as ações citadas estão a ampliação de equipes em campo conforme as previsões do tempo, a contratação de eletricistas próprios, o aumento da frota de geradores, a expansão dos canais de atendimento e a intensificação das manutenções preventivas, com destaque para o número de podas realizadas ao longo do ano.
Sobre os episódios específicos, a Enel afirma que, em setembro, restabeleceu o fornecimento para 95 por cento dos clientes afetados em até 24 horas, mesmo com rajadas de vento de até 98 quilômetros por hora. Em dezembro, durante um ciclone extratropical, diz ter mobilizado cerca de 1.700 equipes ao longo de mais de 12 horas de ventos intensos, contabilizando 4,4 milhões de unidades consumidoras impactadas em momentos distintos do evento climático.
Ao projetar o futuro, a concessionária anuncia investimentos de R$ 10,4 bilhões em São Paulo até 2027. A defesa, porém, deixa em aberto a questão central levantada pela penalidade: se a escala dos investimentos e das ações preventivas será suficiente para reduzir falhas prolongadas no fornecimento em uma metrópole cada vez mais exposta a extremos climáticos e menos tolerante a interrupções que se estendem por dias.