15 de Mai de 2019

Paula Belmonte extrai nomes de Palocci e de Vacari Neto em CPI do BNDES

Por Ronaldo Nóbrega | 

Os brasileiros aguardam ansiosamente pela caixa-preta do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). A Comissão Parlamentar de Inquérito, que apura o tema na Câmara dos Deputados, vem realizando um bom trabalho de esclarecimento nas entrevistas com os intimados. O destaque dessa CPI vai para a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) que conseguiu, (14/05/2019), extrair do empresário Mário Celso Lopes os nomes de Antônio Palocci e de João Vaccari Neto.

A deputada de Brasília surpreende pelo preparo demonstrado na CPI e pela maneira firme como faz as perguntas. Essa característica rendeu ao relatório da CPI o envolvimento dos citados com o grupo JBS. Palocci, ex-ministro da Fazenda no governo Lula, e Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, foram vistos por Celso Lopes em salas da JBS na época que exerciam os cargos mencionados.

O depoente, Mário Celso Lopes, é ex-sócio dos irmãos Batista, os três participavam de uma sociedade em uma companhia de reflorestamento. No caso da JBS, que recebeu bilhões do BNDES nas administrações petistas, a empresa experimentou um crescimento anormal de seus negócios na comercialização de carnes, tornando-se a maior empresa do mundo no segmento.

Obviamente que esse crescimento foi bancado com o dinheiro público em esquemas de corrupção nos quais a JBS financiava campanhas de políticos em troca de privilégios de financiamento, preferência em licitações e vantagens indevidas. Celso Lopes disse a Paula Belmonte que políticos importantes eram tratados pelos irmãos Batista como “ativos”, ou seja, os representantes do povo seriam propriedade desses empresários.

Além de Palocci e de Vacari Neto, a lista de “ativos” dos irmãos Batista contava com o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho.  O próprio Celso Lopes admitiu que, à época, participou de uma reunião com Joesley e Coutinho. Em depoimento à CPI, Celso Lopes afirmou que, na ocasião, teve que sair da sala a pedido dos dois que continuaram “negociando”.

As confissões de Celso Lopes foram obtidas graças à postura incisiva da deputada Paulo Belmonte que demonstrou grande personalidade na condução do depoimento. O empresário relatou que também testemunhou a compra do frigorífico Bertin pelo grupo JBS em 2010. De acordo com ele, o total desembolsado pelos irmãos Batista foi de R$ 750 milhões mais 10% em ações do grupo. A superavaliação feita no frigorífico, no entanto, apontou um valor estratosférico: R$ 12 bilhões. Essa discrepância, conforme relatou Celso Lopes, gerou prejuízos aos investidores da empresa e ao BNDES-PAR, que apostou no negócio.

O grupo JBS era um dos chamados campeões nacionais nos governos Lula e Dilma. Essa política elegia empresas que recebiam financiamentos a juros abaixo dos praticados no mercado. Por isso, tinham mais capacidade de competir no Brasil e no exterior.

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Da redação (Justiça Em Foco) por Ronaldo Nóbrega |