30 de Jul de 2018

A BUSCA POR UM VICE

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A maioria dos presidenciáveis, com suas campanhas nas ruas há pelo menos quatro meses, ainda estão à procura de um vice para compor suas chapas. A dificuldade na escolha, não passa pela escassez de bons nomes, ou currículos. Mas, pela legenda a que pertencem e tempo que a mesma dispõe de rádio e tv para uso no horário gratuito – guia eleitoral. Outra cautela é identificar se as legendas estão longe do alcance do arsenal de flechas, produzidos na floresta de “bambu” do ex-procurador Rodrigo Janot, “estoque” de denúncias que poderão vir à tona em pleno período eleitoral, atingindo algumas postulações. Só para avivar a memória do leitor, no jantar de despedida de Rodrigo Janot, no Rio de Janeiro (setembro 2017), todos os membros do MPF se comprometeram em travar a batalha do “Armageddon” contra a corrupção política, nas eleições deste ano de 2018. Escolher um vice numa das legendas investigadas pela lava-jato é um risco danoso, de consequências imprevisíveis.

O partido REDE, depois de passar um “pente fino” em todas as siglas, vai optar pelo ator global Marcos Palmeira (?) um neófito em matéria de política e literalmente despreparado para substituir numa eventualidade do destino – caso fosse eleita – Marina Silva. Um vice representa expectativa de poder. Tem que está pronto para governar, sobretudo no Brasil, que tem sido comum os vices concluírem mandatos, desde o suicídio de Getúlio Vargas. Jânio Quadros não concluiu o seu, nem o vice que o substituiu, João Goulart. Fernando Collor de Melo não atingiu a metade de seu mandato, o vice Itamar Franco concluiu. Até nos governos militares ocorreu imprevistos, como o falecimento do Presidente Artur da Costa e Silva, fato que gerou o recrudescimento do regime, ao impedir que o seu vice, o civil Pedro Aleixo, assumisse. Instituíram uma junta governativa. De 1950 até 2016, foram eleitos diretos e indiretamente, dez presidentes da República. Cinco não concluíram seus mandatos.

Outros presidenciáveis como Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), que vêm pontuando bem nas pesquisas, enfrentam o mesmo problema. Ciro chegou a desabafar que seu maior opositor é o PT, que também não tem ainda um vice. A estratégia do Partido dos Trabalhadores é homologar a candidatura de Lula, e apelar para seu registro até a última instância, ocasião em que negada, pretende lançar de última hora o nome que empolgue o eleitorado, capaz de levar os trabalhistas ao segundo turno.

De todos os presidenciáveis, o único que não enfrenta este problema é Jair Bolsonaro do PSL. A busca de outra legenda “descontaminada” com lava-jato e outras dezenas de operações de combate a corrupção, é difícil de ser encontrada e, sobretudo se encaixar no discurso de austeridade, alicerce do programa de campanha de Bolsonaro. Para sorte do presidenciável, o Presidente de honra e fundador de sua legenda (PSL) deputado federal Luciano Bivar tem especialização acadêmica internacional em educação financeira. É um empresário bem sucedido, defensor do estado “mínimo”, e ferrenho adversário da carga tributária, criada e constantemente ampliada, para manter o “aparelhamento partidário” do Estado. Autor de livros sobre economia, autoestima (sucesso pessoal e empreendedorismo) e a desburocratização do estado.

Luciano Bivar soma a candidatura de Jair Bolsonaro algumas vantagens. Não discorda com a política de um “estado forte” no cumprimento do seu papel constitucional: segurança, saúde e educação com qualidade. Contesta a ideia dos “remendos”, proposta pela advogada Janaina Paschoal – alegando que o PSL deveria ouvir mais opiniões – fato que desconfigura a imagem de Bolsonaro, esculpida pelo povo. Fica difícil o PSL apresentar um vice, que luta pelo reestabelecimento da Monarquia, quando o candidato é Presidencialista. Bivar tem formação capitalista, fato que tranquiliza os “mercados” e o empresariado nacional. Os demais desconhecem inteiramente a “linguagem” dinâmica da economia e seu avanço globalista.  

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