Eleições 2018 no JF

Eleições 2018: Globo muda regra no meio da partida e presidenciáveis se calam

Da redação - Por Carla Castro - quarta, 22 de agosto de 2018
 

A lei eleitoral, que criou a propaganda gratuita para os partidos políticos e seus candidatos (guia eleitoral), tinha como objetivo o princípio da isonomia, evitando a influência do poder econômico no desequilíbrio do pleito. Se a propaganda política fosse paga, como é nos Estados Unidos, partidos como o PT, por exemplo, jamais teriam crescido a ponto de um dia chegar à presidência da República. Antes de 1970, transmissão de comícios ao vivo (pelo rádio) era regiamente pago. Os Jornais publicavam páginas inteiras de reportagens, também pagas. Os militares coibiram, o que consideraram como abusivo para a democracia, o uso e preponderância do poder econômico. Mais uma ironia da história... As esquerdas ainda insistem em dizer que vivemos uma ditadura. Se não fosse a “ditadura”, e sua “justiça eleitoral”, como eles teriam sobrevivido? 

Quem mais clamou por “liberdade de imprensa” e “liberdade de expressão” foram jornais, rádios e principalmente a TV, que além da natural “censura prévia” dos seus noticiosos, também censuravam a música, programas de auditórios, telenovelas... Após 1974, houve um recuou muito grande da “repreensão” prévia. E, em 1979 o AI-5 foi revogado. Sem este ato institucional, todas as liberdades foram devolvidas à imprensa, as expressões da arte e da música, e as manifestações, como as greves.

Com o advento da redemocratização (1985), quando um civil assumiu a presidência da República (José Sarney), o país começou a conviver com outro tipo de ditadura até então desconhecida. A tirania de o “quarto poder” (mídia), que sem regras ou controles, em forma de cartel, começou a impor suas vontades a um imenso país alienado pelo entretenimento. Os nomes de quem seria presidente da República (a partir de 1989) era uma escolha encabeçada pela Rede Globo, que engolia todos. A resistência a este processo, era a Casa de Manchete (Revista, Rádio e TV) do saudoso Adolpho Bloch, que faleceu em 1995 com suas empresas todas falidas.

O sistema globo e seus asseclas - como uma alcateia de lobos em caça - abatem presas gigantes, através de seus mecanismos escusos, no jargão popular do meio conhecido como “freezer/micro-ondas”. Presidenciável Jair Bolsonaro saiu do freezer há apenas 30 dias. Sobreviveu. Mas, ainda permanece no “gelo”, o Senador Álvaro Dias. O critério adotado para a divulgação diária dos candidatos, mostrando sua mobilização ou agenda, deveria ser um tratamento dado de forma igualitária (como no período militar) a todos, desde que devidamente registrados no TSE. Todavia, o que se tem observado é a desigualdade. Lula (preso condenado em duas instâncias) como “ficha suja” tem mais espaço no noticiário que todos os demais “ficha limpa” que concorrem à presidência da República.

Onde estava a Justiça Eleitoral que não proibiu a divulgação de uma pesquisa com o nome de Lula como candidato? Mesmo assim, o “sistema” adotou uma postura jamais vista antes. Só poderiam dispor deste espaço, candidatos que alcançassem 5% nas pesquisas de intenções de votos. Isto se baseia em qual legislação? Até aí, um absurdo intolerável. Porém, na tentativa de “manipular” o pleito, tomaram uma decisão criminosa. Determinaram que apenas os quatro, que mais pontuaram na pesquisa do IBOPE realizada entre 15 e 19/08/2018, teriam uma cobertura diária nos noticiários das TVs abertas e fechadas. Isto não foi notificado com antecipação aos candidatos. Mudar as regras do jogo no meio da partida?

Nossa reportagem procurou um Ministro do TSE, que sentiu a mesma indignação. Destacou o Ministro que isto fere a democracia e seus princípios, sobretudo no sistema pluripartidário. Indagou o Ministro: “como um partido ou candidato pode crescer junto à opinião pública, se for censurado pela mídia”? O que o TSE prega é a atenção e razão do eleitor na hora de escolher seu candidato e votar. Como pode fazê-lo se a escolha dentre treze, se resumiu a quatro? Mas, conforme observou o Ministro “a Justiça só se manifesta se provocada”. Onde está a assessoria jurídica de Álvaro Dias, João Amoêdo, Cabo Daciolo, Boulos e dos demais candidatos? Vão deixar ser engolidos pelo “sistema”? Quando as redes de TVs divulgaram a pesquisa do IBOPE, provavelmente 20% do eleitorado tinham conhecido Álvaro Dias. Ainda não conhece João Amoêdo do partido NOVO. Boulos e Daciolo? Nem sequer imaginavam que existiam. Apenas aqueles que dispunham de tempo, para assistir o debate da Band TV e Rede TV. O horário, das 22:00 horas à 01:00 hora, é totalmente impeditivo para a grande massa de trabalhadores das metrópoles. E, se não viram nesta oportunidade os demais candidatos, dificilmente vão ver novamente, já que “previamente”, estão censurados pela mídia, que os derrotou antes de serem votados nas urnas de 07.10.2018.

 

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