30 de Set de 2018

A eleição do "voto útil"

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O primeiro turno das eleições de 2018 vai acontecer dia 7 de outubro, o eleitor que não tem voto certo estar cada vez mais dividido. Existem muitos fatores que estão sendo levados em consideração neste pleito, mas o principal deles é o anti: antiPT, antiBolsonaro, antiDiscurso “a” ou “b”. Cada vez mais a realidade do "voto útil" se faz presente e tira de nós, de certa maneira, o prazer de escolher alguém que realmente representa o que queremos para o país. 

Com a proximidade do primeiro turno fica cada vez mais nítido, pelas pesquisas, que a maioria dos votos que levarão Jair Bolsonaro para o segundo turno é do antiPT. Só resta saber quem o enfrentará, se a jovialidade e olhar social de Fernando Haddad e Manuela  D'Ávila ou a promessa, de economia e agronegócio fortes, de Ciro Gomes e Kátia Abreu. 

Também é quase palpável que Lula, mesmo preso, ainda passa uma imagem de avanço e confiabilidade, tendo em vista o ótimo capital de imagem que ele deixou em seu governo, sobretudo para as pessoas mais pobres. E é este capital de imagem que alavanca a candidatura de Haddad. 

Como também é notório o capital de imagem de Jair Bolsonaro entre seus seguidores, que acreditam que em seu governo a situação do país mudaria. Resta saber de que forma. O discurso do presidenciável não é bem visto tanto na câmara baixa como na alta, e, como se sabe, não da para ser presidente sozinho. 

A máxima de que nunca se teve uma eleição tão polarizada quanto esta é cada vez mais verdadeira.

A falta de novidade

Esta é a eleição com maior número de candidatos ao cargo máximo do Poder Executivo – ao todo foram 13 -, o que poderia representar, enfim, maior número de ideias e projetos sobre a mesa. Mas, não é isso que se vê na prática. Geraldo  Alckmin, do PSDB e Marina Silva, da Rede, por exemplo, apresentam o mesmo que apresentaram em outras candidaturas, mesmo a situação do país sendo completamente diferente de quatro, oito ou doze anos atrás. 

As candidaturas, de Álvaro Dias e Henrique Meirelles, poderiam ter dado mais dinâmica a este jogo. Já que o primeiro foi um dos governadores do Paraná mais bem avaliados dos últimos tempos e o outro é um expert em economia. Os dois poderiam trazer ideias mais interessantes do que “refundar a República” ou recorrer a generalidades para falar sobre emprego para os mais jovens e paridade salarial para ambos os sexos.

As candidaturas sem representatividade de Guilherme Boulos, Vera Lúcia e João Amoêdo tocam em temas importantes, mas o nosso sistema político, tempo de TV e divisão do fundo partidário, não os deixam mostrar suas ideias.  

E a imprensa nacional colabora para isso. Os modelos de debates utilizados pela TV aberta não instigam o candidato a mostrar o que eles pretendem fazer objetivamente para resolver questões como a crise econômica e social do país. Parecem mais arenas em que eles têm que digladiar o tempo inteiro. 
E todo esse jogo de xadrez,  tem papel de dar mais volume à divisão do país em extremos opostos.

Eleições na internet

Sabe aqueles memes que vemos na internet sobre expectativa e realidade? Eles também podem se aplicar a estas eleições, quanto ao uso das redes sociais nas campanhas.

Ela vai ser cada vez mais importante, mas a massa da população brasileira ainda tem o contato com política pela TV. O questionamento que fica é como trazer este público que está vendo a propaganda, que ainda é obrigatória, para acessar as redes sociais ou os sites dos candidatos. Isso também tem a ver com descrença na política e falta de representatividade. Como resolver esta equação? Talvez só consigamos responder a estes questionamentos no fim destas eleições.

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